"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).

VINDITA - 10.03.2008

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Aspanu Fiscciolla era o grande amigo,o irmão adotado por Salvatore Giuliano, o Príncipe-Bandido da Sicília, que desafiou a Máfia, a Igreja, os latifundiários e o Governo da Itália na década de 40 até ser assassinado em julho de 1950, aos 27 anos. Aspanu participou dos primeiros roubos de trigo assumidos por Giuliano para entregar pão a camponeses famintos. Aspanu assaltou trens com Giuliano, tomou vinho, recrutou homens que formaram uma milícia tão poderosa que fez tremer a temida Questura, a polícia federal sediada em Roma.

O único fio que destoava da lealdade de Aspano a Giuliano era o modo com que olhava para bela Giovana, a noiva de Salvatore, o Siciliano. Mas ele jamais ousara um gesto que contrariasse o líder. Um dia, Giuliano invadiu o quartel da polícia e quase foi morto pelo cabo Silvestro Canio. Aspanu, em acesso de fúria, quis eliminar Silvestro à faca. “Vamos respeitá-lo”, encerrou o assunto Giuliano que conquistou Silvestro, a ponto de torná-lo um dos seus capangas mais devotados.

Giuliano, Rodin Hood montanhês de Montelepre e sedutor, confiava cegamente em Aspanu, autor do tiro que o matou dentro de um barco de pesca de onde deveria fugir para os Estados Unidos, onde se encontraria com a bela Giovana. Aspanu havia sido cooptado pelo Governo e os mafiosos e traiu o Siciliano. Quem desconfiou do plano e, em vão, avisou ao chefe? Silvestro Canio. Enquanto a pobreza italiana chorava Giuliano, jogado em frente a um prédio policial onde os Carabineri terminaram de metralhá-lo, Aspanu cumpria pena fajuta de um ano, até ser libertado e perdoado pela traição. Um belo dia, recebe a visita um admirador intelectual de Giuliano que, ao invés de ópio, o entrega veneno, que ele ingere e morre em segundos. Antes de partir, o vingador prega um papel escrito com a frase imortalizada pelo seu ídolo e com que brindava os algozes: “Assim morre quem trai Giuliano.”

A Itália é o berço da vindita, vendetta, vingança. Mário Puzo foi o seu maior intérprete em livros e clássicos como o Poderoso Chefão, Òmerta e o Último Chefão, além do próprio Siciliano, que transformou em lenda. A origem da palavra Máfia, vem de Ma-Fia(Minha Filha), grito desesperado de uma pobre mãe que via sua criança ser estuprada e morta. Um grupo de homens juntou-se e não só matou como retalhou o criminoso. Passaram a se organizar para fazer a justiça que consideravam certa: a das próprias mãos.

A vingança é o segundo ato de qualquer tragédia. Por mais dolorosa, é, friamente, um gesto legítimo. O que você desejaria para um deflorador de bebês? Ou um assassino em série? Que piedade você sentiria do ladrão que roubasse as economias juntadas durante toda uma vida? Ou do esperto que o iludiu em sua boa-fé? Claro, que a hipocrisia da nossa retórica é a do perdão. Mas como se até ele, o Nazareno, expulsou a tapas os Vendilhões do Templo?

Vingança é justiça. O verdadeiro mal é o que a provoca.

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