REDENÇÃO PELA ARTE - 13.03.2009

Triunfal, sim. O Vasco desatou o nó, desamarrou a corrente, destampou a torneira.
O vascainismo resplandeceu de um sono de estima perdida.
O Vasco que emociona pela qualidade e solidariedade na sua construção, voltou sob o solo de um maestro, Carlos Alberto.
Nos 4x1 em cima do Botafogo, o meia que nasceu para ser meia, joga como armador, dribla um pouco mais, desmoraliza o marcador, devolveu a altivez aos meninos, adolescentes, velhos cruzmaltinos.
A descontar Romário, o último grande ídolo, capaz de pautar uma discussão de boteco, uma briga de colégio, fazer a massa verter em felicidade, prantos de desgosto, chamava-se Juninho Pernambucano.
Carlos Alberto está há menos tempo. Podem me crucificar. Joga mais bonito que Juninho. Supera o "Pernambuquinho" em habilidade.
Carlos Alberto chegou ao Vasco sob olhares desconfiados. Denner, Arturzinho , Ramón, cumpriram percurso semelhante.
O país marqueteiro e midiático exalta os gols de Ronaldo no Corinthians.
Que seja melhor.
Carlos Alberto jamais terá vez na seleção de Dunga. Num duelo imaginário, Dunga levaria dribles e cortes secos humilhantes.
Carlos Alberto, que joga o futebol brasileiro, vai disputar espaço com Julio Baptista, um mastodonte? Não, porque Carlos Alberto não aprendeu a jogar futebol correndo atrás do marcador.
O Vasco redimiu uma multidão asfixiada, sofrida, saudosa.
Dengos a Carlos Alberto.
Seu futebol samba-jazz devolveu ao clube o que ele não tinha há tanto tempo.
Um ídolo.
Carlos Alberto, o Geovani moderno, é do Vasco.
Dunga sempre coadjuvou Geovani.
Não vai querer Carlos Alberto sendo estrela.
Melhor para nós, saudosos de referência.
Carlos Alberto, viva.
Vasco!



