ELES, PRÓPRIOS - 19.03.2009

Vem de longe a minha desconfiança nos formais. São protocolares, devem transar de meias Lupo, novinhas em folha. A impessoalidade é a própria omissão, a falta de postura, de definição.
Aprendi que é preciso ter lado até em jogo de palavras cruzadas. É melhor saber quem é o inimigo do que dispor de um amigo disfarçado. Os litúrgicos nunca tomarão parte. O partido é o do bem. Deles.
A ideologia cerimonial é o suntuoso e o momentâneo. Filhos do oportuno. O cinismo é a credencial.
Quando ando por Brasília, maior a minha vontade de nunca morar nela. É a terra do circunstancial, do dissimulado, do cochicho. Tinha um bom amigo que atrapalhava conchavos com arrotos em altos decibéis.
Tenho outros que adoram demonstrar importância pedindo licença para articular segredos que, revelados, apontam para a burrice de placenta. Quem é aquele mesmo? Ah! Aquele é o articulador. Das soluções individuais e singulares.
Os impessoais são o oposto de quem aprecia o ser humano verdadeiro. São misteriosos. Furtivos. Desconfiados.
Cuidado com eles. Não, nem precisa.
Eles não acreditam neles próprios.



