A SANTA E O APÓSTOLO - 27.03.2009

O envelope, dourado. O estado de espírito(meu), cinzento. Imaginei uma nova proposta de cartão de crédito, inimaginável antes da marolinha que se ameaça tsunami.
As meninas do telemarketing dos cartões de crédito estão tão mais amáveis. Ligam, ponderam, verberam. Antes, prefixo telefônico de pobre significava eliminação.
Volto ao envelope. De um ouro comum em um dia de angústia. Veio pelo Correio, sob a porta do apartamento. Ao vê-lo, abri sem o menor compromisso.
Quem disse que a vida é fácil? Perguntava o Capitão Nascimento, o meu herói, em tiroteios magníficos pelas favelas do cinema.
Tenho tido dias de silêncio e observação. De pouca fé nos homens. De total ojeriza ao falso. Meu escape é o ABC de futebol de salão. Mal, mal, longe do que um torcedor apaixonado exige.
Decidiríamos uma vaga à final contra o favorito. Seu técnico me recebe no ginásio num triunfalismo argentino. “Uma pena a ruindade do seu time.”
Assisti ao jogo na dor imaginária dos que resistiram em Leningrado. Pegando o fuzil dos mortos.
Fomos aos pênaltis. Vencemos. Derrotei tudo o que perdi nos tempos recentes.
O apóstolo, goleiro Matheus. Aquele que disse, somente, “Segue-me”.
No envelope dourado que abri, eu, homem sem crença, uma imagem que ficou no bolso.
O nome dela é Fátima.



