"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).

COERÊNCIA, TCHÊ! - 09.03.2010

  1. aumentar a letra
  2. diminuir a letra



Em mesa de classe média, futebol, doença, mulheres e política formam o quadrado de meio-campo. Político sempre não presta, sentenciam aqueles que vão a urna eleger governadores, senadores, deputados e vereadores de quem reclamam com a má vontade que eu via em alguns chefes de departamento de pessoal com quem trabalhei.

Não podiam ser donos da empresa. Então, se vingavam atrasando a entrega dos nossos contra-cheques ainda chamados pelos mais velhos, 15, 20 anos atrás, de holerites.

Nas ditas rodas, enquanto se resolve a situação econômica, monetária e sociológica do país, além da vida particular (dos outros), sempre a unanimidade reverencial: O Senador Pedro Simon. “Ah! Simon é diferente!”, “Simon não deveria se misturar com aquela corja”, “Taí um cara honesto! Simon!”, são as frases de cada encontro.

Pedro Simon é, comprova-se, decente e coerente, desde que eu me entendo por gente e bem antes de construir esta rima ridícula justamente na frase dele.

Simon é autêntico, honesto, até voto de pobreza fez. O que diz, ele cumpre, mantém o gestual histriônico como se fosse do tempo tribuno quando o Congresso Nacional ainda funcionava no Rio de Janeiro até os anos 1960.

Simon deveria chamar aos chimarrões o seu conterrâneo Dunga. Simon torce pelo Inter, onde Dunga começou a jogar bola. Jogar bola, não, dar porrada e destruir como um rottweiler na cabeça-de-área.

Dunga, pela justificativa literal do apelido, inspirado num dos 7 Anões, está mais para Zangado, de tão raivoso nas entrevistas. Responde provocando o jornalista, ainda que existam jornalistas que irritem pelo pródigo prazer de espezinhar.

Está surtando de incoerência, longe de um Pedro Simon dos Pampas.

Dunga já definiu que Ronaldinho Gaúcho está fora porque já tinha de provar que merecia estar na Copa da África do Sul.

Nas entrelinhas, uma tática esnobe e subliminar de julgá-lo incompetente quando esteve na seleção.

Fosse chamado por Simon, o senador, em sua sanguínea dignidade, diria que Dunga é o último a poder usar o estigma como argumento.

Ninguém mais do que ele foi tão escorraçado, injustamente simbolizado como caricatura do fracasso na Copa de 1990. A medonha Era Dunga, de Sebastião Lazaroni.

Dunga teve a chance de se redimir quatro anos depois e ergueu a Taça nos Estados Unidos. Voltaria a perder em 1998, quando assistiu a um cidadão Zinedine bailar como Maigret, o detetive de Simenon, percorria as ruas de Paris.

Dunga perdeu duas copas, ganhou uma.

Ronaldinho Gaúcho, por enquanto, está no 1x1 em Mundiais.

Será que Dunga não perdoa os passeios que o dentuço lhe dava quando começava a carreira e ele(o Zangado), terminava, no final dos anos 90?

Eu chamaria o senador Pedro Simon.

Não precisa ser na mesa dos meus amigos.

Só ele e Dunga.

Tenho certeza que uma questão de ordem seria levantada, naquele sotaque de bombacha:

-Bá! mas e a coerência, tchê?

Todos os direitos reservados
ao site de Rubens Lemos

maxmeio