NO CORREDOR DA MORTE - 03.03.2004
Americanos me cercam por toda a parte. Não os de Bush, mas os do América, de Natal. E em cada rosto rubro se enxerga a soberba de uma nova sova no ABC. O massacre, antecipam os vermelhos, começará a partir das 17 horas deste Domingo, quando a bola rolar em mais um clássico no Machadão. E será tanto ou mais humilhante quanto o último, o dos triunfais 3x0 que fizeram a frasqueira voltar silenciosa para casa ou para os bares da melancolia.
Chateio alguns amigos quando digo que não vou ao ABC x América. É o que eu tenho sempre dito ao longo dos últimos quatro anos de sofrimento. Falo e não cumpro. Termino indo e sofrendo, praguejando e bebendo, maldizendo o coração.
Na última Terça-feira eu disse de novo : “Domingo eu não venho ao estádio! Aliás, não venho mais neste campeonato!” O companheiro que me acompanhava na dolorosa missão de assistir a uma pelada medíocre apenas balançou a cabeça, irônico.
Desconfio de que esteja em curso ou processo de autoflagelação(o mal praticado contra si próprio) . Estou me fazendo de vítima na vã esperança de que a tradição supere a torpeza do futebol do meu time. Eu vou ao estádio, sim, fantasiado de ABC como toda vida. Camisa e espírito em preto-e-branco. Mas vou(eu me fazendo de coitado de novo), convicto de mais um desastre, conformado com outra festa inimiga em seu gueto à direita das cabines de rádio.
Adoto o estratagema me contorcendo por dentro, aflito para que tudo mude, que o lateral-direito acerte um cruzamento, que o tal de Moisés não agrida a bola como aos adversários, que Reinaldo Aleluia se multiplique em quatro, que um passe saia correto do meio-campo alvinegro. Sou o próprio condenado a caminho da cadeira elétrica e acreditando na clemência.
Se eu perder de novo , aí é fatal , juro que a minha alternativa será comprar um livro do professor Luis Carlos Cruz. Que deve ser um mestre em auto-ajuda.



