"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).

Desenrolando a Língua


As “armadilhas” do texto


Ao escrever, é preciso observar certas construções que podem dificultar a compreensão. Um dos maiores inimigos da clareza textual é a ambiguidade, isto é, o emprego de palavras ou construções que podem ser entendidas de mais de uma maneira. Existe ambiguidade normalmente devido à pontuação inadequada ou ao emprego de palavras ou expressões de forma pouco clara, com mais de um sentido. Vejamos alguns casos.


Logo após o resultado das eleições de outubro de 2006, um jornal local publicou a seguinte manchete: “Lula recebe governadores eleitos em busca de apoio”. Nesse caso, a expressão “em busca de apoio” pode referir-se a “Lula” ou a “governadores eleitos”, o que dificulta a compreensão. O problema seria evitado se o redator escrevesse: Em busca de apoio, Lula recebe governadores eleitos.


O vestibular da UFRN, recentemente, pediu para que fosse desfeita a ambiguidade da frase “Conheci a irmã de Caetano, que mora em Natal”. Não se sabe, na frase, se quem mora em Natal é Caetano ou a irmã dele. Bastaria substituir o pronome relativo “que” por “o qual” ou “a qual”: Conheci a irmã de Caetano, a qual (irmã) mora em Natal ou Conheci a irmã de Caetano, o qual (Caetano) mora em Natal. 


O Jornal do Brasil (edição de 02/04/2007) estampava a seguinte manchete: “Bento XVI pede amor aos jovens”. Aqui não se sabe se o papa pede que os jovens amem, isto é, que pratiquem o amor (sejam agentes) ou se Sua Santidade pede para que os jovens sejam amados, ou seja, para que sofram a ação de amar (sejam pacientes).


O Jornal do Brasil (edição de 02/04/2007) estampava a seguinte manchete: “Bento XVI pede amor aos jovens”. Aqui não se sabe se o papa pede que os jovens amem, isto é, que pratiquem o amor (sejam agentes) ou se Sua Santidade pede para que os jovens sejam amados, ou seja, para que sofram a ação de amar (sejam pacientes).


O Jornal de Hoje, outro dia, noticiava o seguinte: “Adécio contesta José Dia alegando artigo do Regimento Interno da AL” (sic). Agora, o que causa a ambiguidade é o uso da forma nominal “alegando”. Quem estava alegando: Adécio ou José Dias? Para desfazer: Alegando artigo do Regimento Interno da AL, Adécio contesta José Dias.


Vale lembrar que, embora possa ser usada como recurso estilístico ou humorístico – no caso dos jornais, até como forma de atrair o leitor –, a ambiguidade é condenável quando atrapalha a transmissão da mensagem.

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