"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).

Desenrolando a Língua


Parênteses


Não é de hoje que professores de português não se entendem em relação ao uso dos parênteses. Muitas vezes, a orientação é que, se errou e não pode apagar, o aluno deve pôr entre parênteses a palavra ou expressão errada. Essa recomendação não tem sentido porque os parênteses não têm essa função. Pode até ser mais cômodo, mas não há nada que justifique isso.

O que acontece é que, ao usar os parênteses, o autor da mensagem está afirmando que a palavra ou a expressão contida neles é acessória, isto é, não faz falta. Trata-se, geralmente, de uma explicação, de uma reflexão, de um comentário ou de uma observação.  Vejamos um fragmento de texto escrito pelo jornalista Fernando Rodrigues:

Para saber se é verdadeiro o tal documento (tem muito jeito de ser...), é necessário que apareça o original. Segundo o empresário Sebastião Buani (o dono do restaurante e pagador confesso do mensalinho), o original teria ficado com Severino... Então... (1)

Nota-se, nesse exemplo, que o jornalista recorreu por duas vezes aos parênteses. No primeiro caso, há um comentário; no segundo, uma explicação. E há outros exemplos:

O deputado federal Carlos Rodrigues (PL-RJ) entregou nesta segunda-feira à Mesa Diretora da Câmara uma carta com o pedido de renúncia de seu mandato. (2)

Mas a questão não termina por aí. Há muitas dúvidas quando o assunto é a pontuação. O ponto fica fora ou dentro dos parênteses?  O ponto fica fora quando a expressão encerrada nos parênteses fizer parte da oração:

Argumento dos severinistas: é falso o documento que teria sido assinado por Severino Cavalcanti (autorizando a prorrogação de um contrato da Câmara com um restaurante). (3)

Agora, só resta ao Congresso esperar que a equipe do arquivo do Bradesco (banco usado por Buani) forneça o microfilme do documento com a maior rapidez possível (o pedido já foi feito pelo próprio empresário, semana passada). (4)

O ponto fica dentro quando os parênteses englobam toda a oração: O bom atacante visa ao gol em todos os instantes. (Acredita em todas as jogadas.)

Por isso, é muito importante ter atenção ao usar os parênteses. (Eles exigem um cuidado especial!)
1- Exemplo extraído do Blog de Fernando Rodrigues: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/index.html. Acesso em 12/09/2005.
2- Idem.
3- Idem
4- Idem

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