"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).

Desenrolando a Língua


Plural indevido


Um dos casos mais intrigantes da língua portuguesa é a formação do plural. Desde a época do Ensino Infantil, somos testados – e tentados – por diversas regras, que, na maioria das vezes, soam estranhas.


As gramáticas geralmente trazem listas infindáveis: palavras terminadas em R e Z, acrescenta-se ES; para as terminadas em M, troca-se o M por NS...


Esse assunto, porém, tem situações interessantes que merecem ser destacadas, porque envolvem muito mais do que decorar regras.  A saber: fica no singular o substantivo que, depois dos verbos SER, TORNAR-SE, VIRAR, CONSTITUIR, confira ao sujeito (no plural) um caráter de abstração e generalização: Atletas potiguares são o destaque no torneio (destaque é uma palavra abstrata que generaliza o sentido do sujeito, atletas potiguares). Outros exemplos: Essas acusações são consequência dos fatos; Atitudes como essas não constituem novidade.


Mas a palavra ou expressão que vem depois dos verbos vai para o plural se exprimir um fato concreto, se individualizar o sentido do sujeito ou se encerrar ideia de oposição: Dois atletas potiguares são os destaques no torneio; Pai e filho foram testemunhas do acidente (individualização); Pessoas tornam-se mercadorias na TV (fato concreto).


É importante destacar também que uma propriedade, quando se refere a dois ou mais sujeitos, fica no singular: O delegado apurou a identidade (e não “as identidades”) das vítimas (isto é, de cada uma); A volta de Souza e Paulo Isidoro ao time (a volta de cada um); Com a presença da governadora e do prefeito (e não “as presenças”) foi inaugurada a obra.


Quanto às partes do corpo, vale lembrar o seguinte: a menos que sejam mais de uma na pessoa (como olhos, ouvidos, pernas, etc.), elas ficam no singular quando a referência for a grupo ou multidão. Por exemplo: Os alunos balançaram a cabeça (e não “as cabeças”); O coração dos brasileiros pulsa em ritmo acelerado na Copa do Mundo; Os jogadores tiveram problemas no estômago. Atenção ao plural: Voltaram os olhos (os dois) para o campo; Ergueram as mãos (as duas) para comemorar. Esse mesmo critério é utilizado com os atributos da pessoa: Queriam salvar a alma (e não as almas); O importante é que todos tenham a consciência tranquila ao usar o plural.

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