"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).
Usando o gerúndio
O emprego do gerúndio tem causado muita dor de cabeça a quem escreve. Não se pode abusar e deve-se ter cuidado, muito cuidado, quando se vai empregá-lo. O gerúndio marca uma ação em trânsito. É muito utilizado em orações reduzidas, o que nem sempre torna o texto mais claro.
Para facilitar, recomenda-se que o gerúndio deve estar o mais perto possível do sujeito ao qual se refere, pois dizer Vi teu amigo entrando na sala é diferente de Entrando na sala, vi teu amigo. Na primeira sentença, quem realiza a ação de entrar é teu amigo; já na segunda, o agente de entrar está oculto (eu).
Uma consulta a uma boa gramática nos revela os tipos de gerúndio. Aqui, chamaremos atenção aos casos que devem ser evitados. Preste atenção aos dois verbos (gerúndio e principal). As ações expressas por eles não podem ser simultâneas. Assim, não se pode dizer Chegou sentando-se porque chegar e sentar não podem ocorrer ao mesmo tempo.
Outro emprego que deve ser evitado é quando o gerúndio expressa qualidades e não comporta a ideia de contemporaneidade: Percebi o menino crescendo. Nesse caso, seria melhor dizer Percebi que o menino crescia.
Há, ainda, que se evitar o gerúndio que tem valor puramente de adjetivo: Encontrou uma mala contendo dólares. O mais adequado seria encontrou uma mala que continha dólares.
Não se pode esquecer que, quando a ação expressa pelo gerúndio é posterior à do verbo principal, não se deve usar o gerúndio. Portanto, dizer O piloto sofreu um terrível acidente, morrendo pouco depois não é uma forma adequada. É melhor dizer O piloto sofreu um terrível acidente e morreu pouco depois.
Para que a lição fique clara, é bom lembrar que o uso do gerúndio será impróprio quanto mais se aproxime da função de adjetivo, ou da expressão de qualidades ou estados, ou quanto maior a distância entre o tempo da ação expressa por ele e o tempo da ação do verbo principal.