"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).
A vírgula, o aposto e o sentido
Quando se fala em pontuação, é comum ocorrerem dúvidas, principalmente no que se refere ao uso da vírgula. As gramáticas registram diversas regras quanto a isso. No geral, algo meio complicado para quem não tem muito tempo para pesquisar.
Uma dessas regras diz que a vírgula deve separar o aposto. Outra complicação porque agora é preciso saber o que é o aposto. O aposto é uma palavra ou expressão que explica, especifica ou resume outro termo da oração. Assim, em frases como Guimarães Rosa, escritor, era diplomata o termo escritor explica o substantivo Guimarães Rosa. Contudo, é essencial lembrar que o aposto pode aparecer antes do termo a que se refere, como no caso desta manchete de um jornal: “Ex-presidente, Itamar Franco, morre em São Paulo”.
Antes de analisar a sentença, é importante distinguir os casos em que o aposto vem entre vírgulas ou não. Usa-se isolado por vírgulas o nome de um detentor de um cargo ou a qualificação de uma pessoa quando só uma pessoa pode ocupar o cargo ou ter determinada qualificação: O escritor chegou acompanhado do filho, José. Sem a vírgula, havia a indicação de que o escritor tem mais de um filho. A presidente da República, Dilma, afirmou que não renunciará. Só há uma presidente da República.
Quando mais de uma pessoa pode ocupar o cargo ou ter determinada qualificação, não existe vírgula: O advogado Felipe Cortez enviou ontem o relatório. Há mais de um advogado. O ex-presidente da República Fernando Collor candidatou-se nas eleições de 2004. Há mais de um ex-presidente da República.
Isso posto, a frase “Ex-presidente, Itamar Franco, morre em São Paulo” não tem fundamento, uma vez que Itamar Franco não é o único ex-presidente da República. Para ter sentido adequado, as vírgulas devem ser retiradas: Ex-presidente Itamar Franco morre em São Paulo.
Claro está que o uso das vírgulas requer bem mais que cuidado com a pontuação. É necessário atenção quando se quer comunicar com clareza.