"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).
Depois de um ano perfeito do Barcelona, conquistando o campeonato espanhol, e UEFA Champions League e o mundial da FIFA, muitos começaram a afirmar que esse time do Barcelona é um dos melhores de todos os tempos, e ninguém conseguiu responder a seguinte pergunta: "O que é preciso fazer para parar esse time do Barcelona?".
Desde a temporada passada, o Barcelona vem mostrando que é disparado o melhor time do mundo, e de lá para cá fez grandes jogos, como os 5x0 contra o Real Madrid no Camp Nou; os jogos pelas semifinais da última UEFA Champions League, quando ele despachou o Real Madrid novamente; a final da UEFA Champions League, quando ele triturou o campeão inglês, o Manchester United; venceu já nessa temporada o Real Madrid no Santiago Bernabeu por 3x1; detonou o Santos na final do último mundial interclubes por 4x0; e venceu o Real Madrid no Santiago Bernabeu novamente, desta vez 2x1, pela Copa do Rey. Isso só para ficar nos principais jogos. É claro que existiram partidas importantes que o Barça foi derrotado, como a derrota para o Arsenal por 2x1 em Londres, nas oitavas de final da última UEFA Champions League, e a derrota por 1x0 para o Real Madrid na final da última Copa do Rei da Espanha, mas essa cena se repetiu poucas vezes desde a última temporada.
O segredo desse futebol fantástico do Barcelona, segundo os próprios catalães, é a filosofia da equipe Blaugrana. Essa filosofia é marcada por um futebol ofensivo, com muita técnica, passes, posse de bola, velocidade, futebol bonito e principalmente por um investimento pesado nas suas categorias de base. Só para termos uma ideia de como o Barcelona valoriza suas categorias de bases, basta ver que 8 dos 11 titulares (Valdes, Puyol, Pique, Busquets, Xavi, Iniesta, Fabregas e Messi), foram revelados pelo clube. A maioria desses jogadores jogam juntos há muito tempo, alguns até jogaram juntos nas categorias de base, e o principal é que as equipes das categorias de base jogam no mesmo estilo e com os mesmos esquemas táticos da equipe principal, e isso facilita muito no entrosamento e na coletividade da equipe, fazendo que os jogadores das categorias de base subam para a equipe principal já adaptados a maneira de jogar do clube. No Barcelona, não importa ganhar campeonatos nas categorias de base, o que importa é revelar jogadores, diferentemente de alguns dirigentes de clubes brasileiros, que tratam títulos das categorias de base com excessiva importância, e esquece que o real objetivo deve ser revelar jogadores. Esses são alguns dos motivos do porquê o Barcelona é o time de futebol que mais revela jogadores no mundo.
Outro fator importante para o sucesso do Barcelona é a humildade da equipe. Por ser o melhor time do mundo na atualidade, cheio de super stars e um dos melhores de todos os tempos, a lógica seria o Barcelona ser um time de jogadores arrogantes, mas não é isso que acontece no Camp Nou. No Barcelona, os jogadores são muito unidos e se preocupam mais com o coletivo do que com o individual, não deixando o sucesso e o ego subirem a cabeçsublinhaá não há espaços para o "estrelismo". Um exemplo disso está na autobiografia do atacante sueco Zatlan Ibrahimovic, que jogou pelo Barcelona na temporada 2009/2010, e hoje está no Milan. Logo no seu primeiro dia de treino, Ibrahimovic foi dirigindo uma Ferrari. Mas após o treino, ele foi advertido pelo técnico Pepe Guardiola, que disse que os seus jogadores não deveriam ir treinar de Ferraris ou Porsches, porque o clube não aceita que seus jogadores se comportem como Superstars, como ocorre normalmente no seu rival, o Real Madrid.
Muitos falam em copiar o jeito de jogar do Barcelona, mas isso não pode ser copiado a curto ou médio prazo, mas somente a longo prazo, começando com um grande investimento nas categorias de base e definindo um padrão de jogo tanto na base como no time principal, como ocorre no Barcelona, para os jovens já subirem para o profissional preparados. Mas isso é uma realidade muito distante do futebol brasileiro, porque aqui não há organização e nem estrutura nos clubes e nem continuidade nos trabalhos dos técnicos e dos dirigentes.